O raio X das empresas de transporte e logística: para onde o mercado está se dirigindo
Um raio X do transporte e da logística no Brasil: veja como as empresas estão estruturadas, quais cargas predominam e quais tendências estão moldando a gestão de frotas.
Lucas Lourenço
17/3/2026
XX
minutos de leitura

O setor de transporte e logística está em contínua transformação. Operações mais complexas, interiorização do mercado, novas tecnologias e estruturas de negócio revelam um mercado em busca de mais eficiência, segurança e integração.

Os dados do Guia Sobre Tendências de Gestão de Frotas e Logística 2026, produzido pela Platform Science, ajudam a compreender esse cenário em movimento.

De que forma as empresas estão estruturadas, quais cargas predominam, onde estão concentradas as operações e quais são as principais preocupações dos gestores estão entre os pontos detalhados no estudo, que contou com a participação de mais de 450 profissionais de todo o País.

O resultado é um raio X das empresas de transporte e logística que, além da situação atual, revela os caminhos a serem percorridos no futuro. Em um mercado competitivo, que exige cada vez mais previsibilidade, essa é uma fonte indispensável de conteúdo.

 

A rota segue rumo ao interior e ao PIB do campo

Em dois anos, a distribuição geográfica das empresas seguiu para o interior, movimento impulsionado principalmente pelo perfil da carga, voltada ao agronegócio.

Cada vez menos empresas concentram-se no Sudeste, apesar de a região ainda ser predominante: eram 63% (2024), caindo para 48% (2026). Todas as outras regiões registraram aumento:

  • Norte: 2% para 3%.
  • Nordeste: 8% para 11%.
  • Centro-Oeste: 7% para 10%.
  • Sul: 20% para 27%.

Os números refletem a expansão logística ligada à industrialização regional, em especial a motivada pelo agronegócio.

A dependência exclusiva do eixo tradicional ainda ocorre, mas a proximidade com infraestruturas regionais é evidente.

 

O modelo da escala de operação

A escala da operação se mantém em nível nacional, com 45% das empresas atuando dessa maneira – o mesmo percentual de dois anos atrás.

No entanto, aqui também se verifica um crescimento da atuação regional, que passou de 36% (2024) para 39% (2026). Por sua vez, as operações internacionais no mesmo período caíram de 19% para 16%.

Isso reforça a percepção de como funciona o mercado: consolidação local antes de movimentos mais abrangentes.

Além disso, os dados indicam foco em eficiência e controle operacional, mais do que na expansão geográfica.

 

O porte das empresas: a ascensão das médias

Com relação ao porte das empresas, a maior parte do mercado concentra-se naquelas com mais de mil colaboradores (36,1%). No entanto, há dois anos este número já foi maior, 42,9%.

 Por outro lado, observa-se um crescimento das faixas até 50 colaboradores. Empresas com até dez funcionários passaram de 4,2% para 6,1%; já as de 11 a 50 profissionais, foram de 6,8% para 12,8%.

Segundo o Guia Tendências 2026, isso sinaliza um mercado que "combina grandes estruturas com operações mais enxutas, flexíveis e orientadas à sobrevivência financeira."

Para cada um desses perfis, os desafios são diferentes:

  • Empresas grandes: sofrem com escala, padronização, integração e governança.
  • Empresas pequenas e médias: lutam por eficiência imediata, caixa e sobrevivência.

Quem é quem no mercado: mais variedade e especialização

O Guia Tendências 2026 também monitorou onde estão atuando os profissionais que compõem o mercado. E, para refletir o que tem acontecido na realidade, foi criada uma nova categoria de pesquisa, a de prestadores de serviço.

Assim como há dois anos (44,9%) a maior parte dos profissionais trabalha em transportadoras (45,1%). A nova categoria de prestadores de serviço já surge na segunda posição, concentrando 21,3% dos colaboradores do setor.

O terceiro lugar é ocupado pelos operadores logísticos, que passaram de 33,6% para 20,2%, com os embarcadores ficando em quarto, passando de 21,5% para 13,5% nos últimos dois anos.

Apesar de quase metade dos respondentes atuarem no core do setor, o percentual significativo de prestadores de serviço mostra que a operação moderna não roda sozinha e depende de um ecossistema que impulsiona eficiência e segurança.

Há uma interdependência cada vez mais evidente entre quem move a carga e quem fornece a tecnologia.

 

Perfil da carga: o que está sendo transportado

O modal rodoviário equivale a 96% do transporte das empresas entrevistadas. Com relação ao tipo de carga, os cinco maiores tipos listados pela pesquisa são:

  • Carga geral/fracionada (produtos industrializados e embalados): 43,5%.
  • Carga a granel (matéria-prima solta/sem embalagem/como grãos e líquidos): 26,9%.
  • Carga perigosa (produtos com risco químico/inflamável ou contaminante): 17,7%.
  • Carga frigorífica ou refrigerada (requer controle de temperatura): 12,1%.
  • Carga indivisível ou de grande porte (peças e equipamentos com dimensões excedentes): 9,6%.

Apesar da predominância da carga geral/fracionada, não existe uma fórmula única de gestão. Por isso, investimentos em tecnologia, pessoas e processos variam significativamente de empresa para empresa, de acordo com o porte, perfil e modelo de atuação.

 

Para onde está direcionada a atenção do mercado?

A pesquisa mostra que a gestão está atuando em uma multiplicidade de frentes – o que é desafiador.

 Os principais pontos de atenção dos gestores hoje se concentram em:

  • Gestão de custos (manutenção, abastecimento, pneus): 66,4%.
  • Gestão de segurança e prevenção de acidentes: 55,8%.
  • Análise de dados e performance da frota (BI, indicadores, KPI): 44,4%.
  • Gestão administrativa (multas, documentos, licenças): 41,6%.
  • Treinamento e desenvolvimento de motoristas: 40,7%.

Segundo o Guia Tendências 2026, a multiplicidade revela uma “gestão sobrecarregada, em que muitas prioridades convivem ao mesmo tempo, nem sempre sustentadas por dados claros.”

Isso muitas vezes gera decisões reativas, baseadas em percepção e urgência e não em impacto mensurado.

 

A evolução do modelo: a Era da Orquestração

Para que a gestão não perca o Norte diante de tantas prioridades, a pesquisa já aponta uma nova tendência: a gestão por exceção.

O objetivo deixa de ser o acúmulo de dados e alertas para mostrar ao gestor apenas o que exige decisão imediata. Nesse modelo orquestrado, os caminhos que se apresentam são:

  • Foco no risco real: em vez de o gestor reagir a cada alerta, fadigando a análise e com pouca ação preventiva, a tecnologia agora filtra falsos positivos e prioriza apenas eventos críticos. A atuação é na causa do problema, não apenas na multa.
  • Gestão educativa: a conversa muda do “você errou aqui” para “vamos ajustar este padrão”, melhorando a retenção e reduzindo atritos.
  • Visão unificada: o sistema conecta as pontas e alerta apenas o desvio; assim, o gestor para de ser um vigia da frota para gerenciar a exceção.

O setor está em pleno movimento e transformação. Para suportar essas mudanças, é preciso a adoção de tecnologias robustas, capazes de integrar dados oriundos de diversas frentes – sistematizando e destacando apenas o que de fato impacta na melhoria da qualidade.

É o que a plataforma Vfleets da Platform Science realiza.

 

O futuro da gestão de frotas passa pela inteligência operacional

O raio X apresentado pelo Guia Tendências 2026 mostra um setor em movimento: operações que se interiorizam, empresas que se reorganizam e gestores que precisam lidar com múltiplas frentes ao mesmo tempo.

Nesse cenário, eficiência e previsibilidade deixam de ser apenas diferenciais e passam a ser condições essenciais para sustentar o crescimento. Mais do que ampliar operações, o desafio agora é gerenciá-las com inteligência – transformando informação em ação estratégica para a gestão moderna de frotas.

Edição 2026 do Guia de Tendências de Gestão de Frotas e Logística
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