
A evolução tecnológica acelerada, combinada a mudanças no perfil dos profissionais e das empresas vem redefinindo a maneira como as frotas são monitoradas e geridas no Brasil.
Em um cenário cada vez mais orientado por dados, entender o que realmente importa tornou-se tão relevante quanto a própria capacidade de coletar informações.
A Pesquisa Tendências surge como um termômetro preciso desse movimento. Conversamos com mais de 450 respondentes para analisar comportamentos, prioridades, investimentos e desafios enfrentados por gestores e operadores.
O estudo revela não apenas o que mudou nos últimos anos, mas também quais transformações devem ganhar força em 2026. O foco deixa de ser a simples adoção de tecnologia e passa a ser a maturidade no uso estratégico dessas ferramentas, com mudanças comportamentais de impacto prático.
A robusta capacidade de geração de dados das tecnologias digitais revolucionou o setor de transportes. No entanto, a grande quantidade de informação gera um desafio: quais indicadores devem ser priorizados no planejamento da operação?
Esse é o chamado “paradoxo da decisão”. Além de transformar o problema em um indicador, é preciso escolher quais deles servirão de parâmetro para que a tomada de decisão de fato impacte o dia a dia da frota – com redução de custos, diminuição de riscos e otimização dos resultados.
Por isso, é importante que a gestão, além de conhecer a fundo as variáveis que compõem sua operação, fique atenta às exigências do mercado, tomando ciência a respeito do que é tendência no setor.
A segmentação crescente vem transformando a gestão de frotas, que deixou de ser uma área isolada, demandando hoje uma coordenação multidisciplinar, capaz de monitorar o fluxo completo.
Assim, embora a atuação majoritária dos profissionais concentre-se no núcleo de Frota e Transporte (29,6%), outros segmentos destacam-se, como o de Operações Logísticas (14,3%) e Torre de Controle (12,3%) – deixando claro que o fluxo operacional vem se alargado ao longo dos anos.
Isso também fica evidente na subdivisão dos cargos. A grande massa do setor é formada pela Força Tática (73,1%), composta por supervisores (22,4%), analistas (19,5%) e assistentes (15,9%).
Ou seja, quem está fazendo a gestão hoje está mais próximo da operação, o que exige indicadores simples, acionáveis e conectados ao dia a dia.
Um total de 83,6% dos profissionais de frota e logística hoje possuem ensino superior completo (45,7%) ou pós-graduação (37,9%).
Segundo a Pesquisa, esse movimento “acompanha o crescimento expressivo das vagas em logística em 2024 e indica a entrada de profissionais que priorizam competências aplicadas, visão analítica e capacidade de gerar impacto prático.”
Com essa predominância, as chamadas “skills-first” ganham força, dando mais importância à habilidade de operar dados, tecnologias e processos com eficiência do que ao título acadêmico.
A presença feminina no setor de frotas e logística é crescente. Em dois anos, ela passou de 15,8% para 22%.
Além das iniciativas de inclusão, esse crescimento reflete também uma mudança estrutural nos processos de recrutamento, formação e posicionamento profissional.
Na prática, isso significa mais mulheres em papéis estratégicos e técnicos, como gestão de dados, segurança operacional e padronização de processos. Elas se tornam cada vez mais agentes relevantes de inovação.
A Pesquisa Tendências também destaca o processo de renovação do mercado.
Os Millenials (os nascidos entre 1965 e 1980) seguem predominantes, com 53,4% de participação – e estão cada vez mais ocupando postos de liderança.
Por outro lado, a Geração Z (1997 a 2009) aumenta expressivamente a sua presença, passando de 10,5% em 2024 para 19,5% este ano.
“Esse novo perfil profissional traz mudanças estruturais, maior abertura à tecnologia, expectativa por clareza, indicadores visuais, feedback contínuo e decisões baseadas em dados. A gestão intuitiva perde espaço para uma lógica mais analítica e transparente”, aponta o estudo.
Depois de esmiuçar o perfil do profissional, chega o momento de entender como são as empresas que compõem o setor.
A pesquisa deixa evidente que o mercado se expande rumo ao interior, impulsionado pela força do agronegócio brasileiro. Com isso, há a necessidade de especialização em novos serviços que deem conta dessa demanda crescente e exigente.
A distribuição geográfica das empresas indica uma clara interiorização da logística, impulsionada pelo perfil da carga.
O Sudeste ainda é a região predominante. No entanto, a participação da região diminuiu de 63% em 2024 para 48% em 2026. Em todas as outras regiões, a presença de empresas do setor aumentou:
Segundo a Tendências, esse deslocamento “reflete a expansão das operações logísticas ligadas à industrialização regional e, principalmente, ao agronegócio, reduzindo a dependência do eixo tradicional.”
O porte das empresas também vem passando por transformação. Embora a maior parte dos profissionais atue em empresas com mais de mil colaboradores (36,1%), esse número era maior há dois anos: 42,9%.
Nesse período, o crescimento mais significativo ocorreu com as empresas de 11 a 50 colaboradores, passando de 6,8% para 12,8%. Isso sinaliza um mercado que combina grandes estruturas com operações mais enxutas, flexíveis e orientadas à sobrevivência financeira.
Com isso, há duas dores predominantes na gestão de frotas, conforme o porte da empresa:
Vários pontos de pressão foram assinalados na Pesquisa. Os principais foram:
Para a Tendências, isso indica uma “gestão sobrecarregada, em que muitas prioridades convivem ao mesmo tempo, nem sempre sustentadas por dados claros.”
O problema: atenção distribuída demais tende a gerar decisões reativas, baseadas em percepção e urgência – e não impacto mensurado.
A pesquisa sublinha: quando tudo é prioridade, o que realmente orienta a decisão?
Para sair desse ciclo reativo, com saturação de alertas, informações e dados, o estudo identificou uma nova tendência tecnológica: a gestão por exceção – categoria em que se insere a plataforma Vfleets, da Platform Science.
O objetivo deixa de ser o acúmulo de dados, passando a ser a eliminação de ruídos, mostrando ao gestor apenas o que precisa de decisão imediata:
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Na Pesquisa Tendências realizada em 2022, testemunhamos a Era do Apito: múltiplos alertas e avisos, em uma gestão ainda reativa, que corre atrás dos erros para depois saná-los.
Em 2024, entramos na Era da Manutenção, quando o foco saiu da infração e foi para a operação, tempo em que o mais importante era assegurar a disponibilidade da frota.
Em 2026, inauguramos a Era da Inteligência Integrada. Diferente de controlar e operar, a motivação agora é orquestrar toda a operação que, como vimos, torna-se cada vez mais complexa.
A pesquisa revelou que a barreira tecnológica já foi superada. O GPS, por exemplo, é considerado essencial para 94% dos entrevistados.
O videomonitoramento também é cada vez mais presente (73,2%). Porém, é possível notar um avanço qualitativo: o mercado já está abandonando o videomonitoramento passivo (apenas gravações), em troca do videomonitoramento ativo.
Nele, a Inteligência Artificial embarcada analisa o comportamento do motorista e previne o acidente – com avisos em tempo real.
A imensa quantidade de dados impõe um desafio: a cabine está repleta de tecnologia de ponta, mas há problemas em integrá-las de forma fluida, que de fato impacte na gestão.
Apenas 27% das empresas entrevistadas atingiram o que a Pesquisa Tendências chama de Zona Fluida – no qual o dado chega automatizado ao gestor de frota, para que ele tome decisões baseadas no que ocorre no agora, com ganho imediato de performance.
Para isso, é preciso integração total entre softwares e hardwares.
Outro marco para este ano é a constatação de que o mercado exige que a operação seja segura e produtiva, não apenas uma coisa ou outra, conforme o paradigma de anos atrás.
“O mercado entendeu que um caminhão parado por acidente não gera receita e explode a manutenção. Em 2026, a única forma sustentável de cortar custos é através de uma operação segura.”
Na cultura de segurança rentável, prevenir o acidente é financeiramente mais eficiente do que remediar o sinistro.
A Tendências indica que estas serão as prioridades para a gestão de frotas em 2026:
Para reduzir custos, não basta cortar. É preciso investir em eficiência. A pesquisa revela que o orçamento migra da compra de ativos para a qualificação de quem os opera.
Com a operação mais complexa e exigente, não é suficiente modernizar ativos, sejam eles veículos ou softwares. É preciso preparar o capital humano, com investimento em treinamentos e capacitações.
De nada adianta tecnologia de ponta se ela não é efetivamente usada – e, mais do que isso, posta em prática, com insights que impactem na redução de custos, em mais segurança e eficiência.
“Indicadores isolados, desconectados da rotina e das pessoas, geram esforço sem impacto. O verdadeiro salto de maturidade acontece quando dados se transformam em decisão e decisão se traduz em comportamento operacional”, indica o estudo.
A Pesquisa Tendências destaca bem: não existe gestão de frotas sem contexto. Cada operação determina prioridades distintas, de acordo com o porte, perfil de carga etc.
No entanto, há algo em comum: a necessidade de se instituir uma gestão proativa, orientada por dados selecionados e critérios claros.
Para isso, o estudo indica alguns questionamentos: quais indicadores da sua operação existem apenas para controle e quais de fato orientam escolhas? Em que pontos há dados disponíveis, mas falta integração, clareza ou engajamento?
Nossa expectativa é que, em 2026, sua operação flua de acordo com os seus desejos de sucesso. Estaremos contigo para o que precisar, entre em contato.