A psicologia do trânsito na prevenção de acidentes trabalha com foco na transformação do comportamento do motorista.
8/7/2019
A psicologia do trânsito é uma área do conhecimento que estuda o comportamento humano no contexto da mobilidade urbana, investigando fatores internos e externos, conscientes e inconscientes que promovem, influenciam e transformam a realidade do trânsito.
Vertentes da psicologia do trânsito
Sua esfera de estudo é constituída de três sistemas principais: a via, o veículo e o homem, sendo o último, o mais complexo, pois tem a maior probabilidade, a partir do seu comportamento, de alterar a organização do sistema desorganizar todo o restante do sistema
A psicologia do trânsito atua em duas vertentes:
Pesquisa: A primeira é feita a partir de conhecimentos científicos documentados a partir da análise dos fatores envolvidos no trânsito
Aplicação: E a segunda se baseia na aplicação de testes psicológicos para poder qualificar a capacidade daqueles que também farão parte desse sistema – como o exame psicotécnico no processo de avaliação para a retirada da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Um dos maiores focos da psicologia do trânsito encontra-se no trabalho voltado à problemática de acidentes, tendo como ponto central o comportamento dos motoristas e como estes influenciam na ocorrência dos acidentes de trânsito.
Aspectos comportamentais
Dentro do comportamento no trânsito, existem alguns que possuem grande relevância nos estudos aplicados à direção, destacamos:
Tempo de reação: é aquele que transcorre desde o perigo ser visto, até que o motorista realize alguma ação.
Orientação espacial: é a capacidade do indivíduo situar-se no tempo e espaço. As pessoas se orientam com a ajuda de sistemas cognitivos, nos quais células neurais específicas são responsáveis pelo reconhecimento de locais e distâncias.
Processamento de informação e tomada de decisão: é a capacidade de perceber e interpretar sinais específicos do contexto do trânsito, avaliando também a inteligência voltada à resolução de problemas, relação entre ideias, indução de conceitos e compreensão de implicações.
Verificação do equilíbrio entre aspectos da personalidade: principalmente os relacionados ao controle emocional, ansiedade, impulsividade e agressividade, levando em consideração que estes influenciam diretamente no comportamento dos motoristas.
Nesses casos, mesmo estando preparado para enfrentar as condições adversas que possam interferir na estrada, o motorista não apenas precisa ver o perigo, como também é necessário tomar uma uma decisão rápida
Alguns fatores influenciam no tempo de reação, um exemplo é a velocidade com que um motorista dirigee seu estado físico – alerta, cansado, sonolento, entre outros.
Psicologia do trânsito na gestão de frotas
No Brasil, os profissionais da psicologia do trânsito trabalham, em geral, na avaliação psicológica de motoristas. Porém, eles também realizam pesquisas e sugerem medidas que auxiliem na melhoria do trânsito, tal qual desenvolvem soluções com foco no comportamento dos motoristas, como cursos de educação, por exemplo.
Então, ser avaliado psicologicamente e aprovado para seguir como motorista já configura o indivíduo como um agente ativo no trânsito. Dessa forma, o comportamento do caminhoneiro que trabalha em uma frota influencia não somente o trânsito no qual ele está inserido, como o planejamento feito pela empresa para qual trabalha.
Assim, ao identificar uma sucessão de comportamentos inadequados no trânsito por parte de motoristas da frota, a psicologia do trânsito pode ser uma solução estratégica para a educação e conscientização dos motoristas a partir de sugestões e aplicação de atividades educacionais que melhor desenvolvam psicologicamente os motoristas.
Além de ser uma ótima solução para educação e conscientização de motoristas, quando combinada à uma tecnologia apropriada para a realidade da sua frota, a psicologia do trânsito é potencializada.
Como integrar soluções tecnológicas com a psicologia do trânsito
Aderir soluções tecnológicas à gestão de frotas é um dos caminhos mais estratégicos para atender às demandas da psicologia do trânsito.
A união de ambas faz com que potenciais riscos de acidentes – como a fadiga, distração, impulsividade ou decisões inadequadas – sejam monitorados com mais precisão e reduzidos de forma proativa. Saiba como:
Sensor de fadiga
Detecção de sinais de cansaço: identifica com grande precisão as alterações no padrão de atenção do motorista, como episódios de microsonos e piscadas longas.
Alertas em tempo real: permite que o motorista faça pausas antes que a fadiga comprometa sua capacidade de reação.
Redução de acidentes: monitorar o estado físico e cognitivo do condutor contribui para que ele esteja mais apto a tomar decisões rápidas e seguras – pois isso está diretamente ligado ao tempo de reação e ao controle emocional.
Videomonitoramento a bordo
Contextualização de eventos: registra o jeito com que o motorista está dirigindo, bem como o ambiente ao redor. Com isso, é possível aprimorar a detecção da verdadeira causa de incidentes, como frenagens bruscas, desvios de faixa etc.
Treinamento e feedback: fornece material visual para educação de motoristas, reforçando hábitos seguros e corretivos.
Integração com gestão de frotas: combina informações de comportamento com dados operacionais, ajudando gestores a tomar decisões estratégicas para a redução de riscos e custos.
Telemetria digital e análise de dados
Monitoramento de velocidade e frenagens bruscas: identifica padrões que indicam impulsividade, desatenção ou cansaço.
Alertas personalizados: envia notificações para motoristas e gestores sobre situações que demandam atenção – como excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas ou curvas agressivas.
Planejamento preventivo: permite antecipar riscos e propor mudanças no comportamento, alinhando-se aos princípios da psicologia do trânsito.
Programas combinados de segurança
Educação contínua: os dados coletados pelos sensores e câmeras de vídeo podem ser usados em treinamentos periódicos, reforçando comportamentos positivos e inibindo direções abusivas.
Conscientização sobre fadiga e atenção: a integração entre tecnologia e práticas educativas fortalece a capacidade de reação e a tomada de decisão do motorista.
Gestão estratégica da frota: oferece insights para melhorar rotas, escalas e planejamento de jornadas, garantindo que a segurança e a saúde do motorista sejam priorizadas.