Conheça os perigos de dirigir com sono e como o sensor de fadiga e bocejo pode ajudar

Entenda os perigos de dirigir com sono, os impactos da fadiga nas estradas e como tecnologias como o sensor de fadiga e bocejo ajudam a prevenir acidentes e aumentar a segurança das frotas.
Emanuele Almeida
14/6/2023
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minutos de leitura

A Platform Science consolidou sua liderança na orquestração de frotas em 2026 ao concluir a aquisição das operações de telemática da Trimble Transportation no primeiro semestre de 2025. Essa integração une a plataforma unificada da empresa à robusta tecnologia Trimble, focando em inteligência coletiva, conectividade avançada e eficiência para o setor de transporte.

Sonolência e fadiga ao volante estão entre as principais causas de morte nas estradas brasileiras. É o que aponta um estudo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), em parceria com a Academia Brasileira de Neurologia.

A pesquisa revela que 42% dos acidentes de trânsito estão relacionados à sonolência. Foi constatado ainda que de 10% a 20% dos acidentes envolvendo ônibus ou caminhões ocorrem por causa do cansaço do motorista.

Ciente disso, empresas de transporte e logística estão cada vez mais atentas à questão e buscam soluções tecnológicas que atuem sobre o problema.

 

Números que revelam a dimensão do problema

Segundo a Pesquisa Tendências 2026, a gestão de segurança e acidentes é uma preocupação de 55,8% dos gestores – a segunda do ranking, atrás apenas da gestão de custos, com 66,4%.

Quando a pergunta afunila para o uso da tecnologia, a segurança se torna prioridade máxima. Ao questionar o que define a tecnologia para quem vive a operação, a palavra “segurança” lidera as citações com folga.

Entre as principais tecnologias já em uso pelas empresas, o videomonitoramento está em 73,2% delas, o sensor de fadiga e distração consta em 70% delas e a telemetria avançada em 66,4%.

“O mercado está deixando o videomonitoramento passivo (apenas gravar) para adotar a videotelemetria ativa, onde a IA analisa o comportamento e previne o acidente em tempo real”, alerta o estudo.

 

Por que os motoristas ficam sonolentos?

Não descansar o suficiente antes de pegar estrada é um dos principais motivos de sonolência e distração nas estradas.

Uma noite mal dormida causa efeitos negativos ao longo de todo o dia seguinte: reflexos mais lentos, dificuldade de concentração, fadiga e episódios de cochilo rápido. No trânsito, porém, alguns segundos de sono são suficientes para causar graves acidentes.

Outro ponto que merece atenção está relacionado ao uso de medicamentos. Relaxantes musculares, antialérgicos e antidepressivos mal dosados podem causar sonolência.

O ideal, portanto, é evitar o uso de medicamentos que têm sonolência como efeito colateral. Se isso não for possível, o recomendado é que a viagem seja programada para um horário em que a atuação das substâncias medicamentosas já tenha passado.

Alguns períodos do dia também são mais propensos à sonolência e ao cansaço, em especial tarde da noite e após o almoço. Por isso, o recomendado é evitar dirigir durante a madrugada e aguardar um período de digestão antes de assumir o volante.

 

Os perigos de dirigir com sono

A fadiga reduz a capacidade de reação, prejudica a atenção e pode ocasionar episódios de “microssono”, quando o motorista adormece por alguns segundos sem perceber.

O problema se torna ainda mais delicado nas estradas, onde as velocidades são mais altas e o tempo de resposta precisa ser rápido. Entre os principais perigos, estão:

  • Tempo de reação mais lento: o cansaço reduz a agilidade mental e física, fazendo com que o condutor demore mais para reagir a imprevistos, como uma frenagem brusca à frente.
  • Perda de atenção e foco: o sono dificulta a concentração contínua na estrada, aumentando as chances de distrações ou de não perceber mudanças no trânsito.
  • Microssonos ao volante: episódios de sono involuntário que duram poucos segundos podem fazer o veículo sair da pista ou invadir outra faixa.
  • Redução da capacidade de julgamento: a fadiga compromete a tomada de decisões, levando o motorista a subestimar riscos ou manter a condução mesmo em condições perigosas.

Por isso, reconhecer os sinais de cansaço e fazer pausas durante a viagem é fundamental para manter a segurança nas estradas.

 

O que diz a Lei do Motorista sobre a rotina de trabalho

A legislação que regulamenta a profissão de motorista é conhecida popularmente como Lei do Motorista. Atualizada em 2015, a Lei 13.103 estabelece diversas determinações que regulam a jornada de trabalho da categoria.

Entre as principais determinações estão:

  • A jornada diária do motorista deve ser de 8 horas, totalizando uma carga semanal de 44 horas.
  • O motorista não pode dirigir por mais de 5 horas consecutivas.
  • É obrigatório um intervalo de descanso de 30 minutos após 5 horas de direção.
  • O horário de almoço deve ser de, no mínimo, 1 hora, que não pode ser descontado do tempo de descanso.
  • No período de 24 horas, o motorista deve ter pelo menos 11 horas de descanso, sendo que 8 horas devem ser ininterruptas.
  • O limite máximo de horas extras de trabalho por dia é de 2 horas.
  • Em viagens longas (com duração superior a 7 dias), o motorista tem direito a 24 horas de descanso semanal, além das 11 horas diárias de repouso.

As determinações da Lei do Motorista se aplicam aos motoristas de veículos rodoviários, sejam eles de carga ou de passageiros. Uma frota que não consegue monitorar e registrar corretamente a jornada de trabalho dos condutores fica sujeita a problemas relacionados à legislação trabalhista, como ações judiciais e sanções.

 

Escala de trabalho

Além disso, a empresa pode ter sua operação comprometida por não conseguir organizar adequadamente a escala de trabalho dos motoristas.

Também é possível que enfrente prejuízos financeiros, já que muitos motoristas podem estar realizando horas extras desnecessárias, o que obriga a empresa a remunerá-los por essas horas trabalhadas.

É importante lembrar que o controle da jornada de trabalho dos motoristas vai além de uma boa prática: trata-se de uma obrigação para todas as empresas que possuem frotas. Essa gestão contribui para garantir uma rotina digna aos motoristas e, consequentemente, para evitar acidentes causados pelo cansaço.

 

Como a tecnologia auxilia na redução de acidentes provocados por dirigir com sono?

A tecnologia tem desempenhado um papel fundamental na melhoria da segurança nas estradas, oferecendo soluções inovadoras que ajudam a prevenir acidentes e a salvar vidas.

Por exemplo, os sistemas avançados de telemetria e videotelemetria permitem não apenas o monitoramento, mas também a visualização em tempo real da localização dos veículos, das rotas percorridas, da velocidade e de eventos como frenagens bruscas, acelerações inadequadas, entre outros.

Essas informações permitem identificar comportamentos de risco e possibilitam ajustes imediatos por meio de alertas, além de favorecer a análise de padrões individuais — o que contribui para a realização de treinamentos e capacitações mais direcionados.

Já os sensores e câmeras inteligentes atuam como aliados na prevenção de colisões, detectando a proximidade de obstáculos e emitindo alertas sonoros ou visuais aos motoristas.

Há ainda sistemas de controle de velocidade adaptativo, que ajustam automaticamente a velocidade do veículo de acordo com as condições do tráfego, ajudando a evitar colisões traseiras, por exemplo.

 

Sensor de fadiga e videomonitoramento: tecnologias para prevenir acidentes causados por sono ao volante

A solução de sensor de fadiga e videomonitoramento da Platform Science pode reduzir em até 250% as chances de acidentes nas frotas.

Basta apenas dois segundos de distração para que ocorram 72% dos tombamentos e outros tipos de acidentes no trânsito, muitas vezes provocados pelo uso indevido do celular ou pela fadiga.

Com essa solução, é possível identificar e evitar essas causas de acidentes, além de ampliar o nível de monitoramento da frota. Todos os eventos na estrada e os desvios de comportamento são registrados, permitindo intervenções mais rápidas e assertivas.

Além disso, o motorista recebe alertas sempre que um comportamento inadequado é identificado, permitindo que ele e o gestor atuem preventivamente para evitar incidentes. O sistema também possibilita auditar ocorrências tanto na pista quanto dentro da cabine do veículo.

 

Tecnologia e gestão: o caminho para estradas mais seguras

A sonolência ao volante é um problema real e recorrente nas estradas, com impacto direto na segurança de motoristas, passageiros e cargas.

Combater esse risco exige atenção não apenas ao comportamento individual, mas também às condições de trabalho e à organização das operações de transporte.

Nesse contexto, o cumprimento da legislação, a gestão adequada da jornada e o uso de tecnologias de monitoramento e videomonitoramento tornam-se aliados importantes para reduzir acidentes e promover uma condução mais segura.

Ao integrar boas práticas de gestão com soluções tecnológicas capazes de identificar sinais de fadiga e comportamentos de risco, empresas de transporte e logística fortalecem a cultura de segurança e contribuem para preservar vidas nas estradas.