Controle de combustível no setor sucroenergético: como calcular, monitorar e reduzir o consumo

Aprenda como controlar o combustível no setor sucroenergético, reduzir desperdícios e usar dados e tecnologia para aumentar a eficiência da frota.
Lucas Lourenço
26/8/2026
XX
minutos de leitura

A Platform Science consolidou sua liderança na orquestração de frotas em 2026 ao concluir a aquisição das operações de telemática da Trimble Transportation no primeiro semestre de 2025. Essa integração une a plataforma unificada da empresa à robusta tecnologia Trimble, focando em inteligência coletiva, conectividade avançada e eficiência para o setor de transporte.

Índice

O controle de combustível no setor sucroenergético é estrategicamente fundamental para melhorar a eficiência da frota, reduzir desperdícios e oferecer apoio a decisões operacionais.

Em uma operação que envolve máquinas agrícolas, veículos de apoio, caminhões, treminhões e diferentes trajetos entre o campo e a usina, o consumo de combustível pode variar de acordo com a carga, a rota, as condições das estradas, o comportamento do motorista, o tempo de operação e diversos outros fatores.

Assim, para controlar combustível, é preciso relacionar os abastecimentos aos quilômetros percorridos, às horas de funcionamento, às cargas transportadas e às características de cada operação.

Entenda a seguir como fazer o controle de combustível no setor sucroenergético, quais indicadores acompanhar, o que pode provocar consumo acima do esperado e como tecnologias como a telemetria ajudam a transformar esses dados em decisões mais eficientes.

 

O que é controle de combustível no setor sucroenergético?

O controle de combustível no setor sucroenergético é o conjunto de processos utilizados para acompanhar quanto combustível é abastecido e consumido pelos veículos e equipamentos empregados nas operações agrícolas, de transporte e de apoio.

Esse controle pode envolver dados como:

  • Quantidade de combustível abastecida.
  • Valor gasto.
  • Veículo ou equipamento abastecido.
  • Motorista responsável.
  • Data e horário.
  • Quilometragem.
  • Horas de funcionamento.
  • Rota realizada.
  • Carga transportada.
  • Consumo médio.
  • Tempo de motor ocioso.
  • Comportamento de condução.

A partir dessas informações, o gestor consegue comparar o consumo realizado com padrões esperados e identificar situações que merecem investigação.

Isso é especialmente importante no setor sucroenergético porque a operação de transporte da cana apresenta características próprias.

Segundo a Embrapa, cerca de 95% da cana-de-açúcar colhida no Brasil circula pela malha rodoviária, e a escolha dos veículos utilizados no transporte está relacionada, entre outros fatores, à distância entre o campo e a unidade industrial, às condições das vias e aos custos operacionais.

Assim, o controle de combustível precisa considerar o contexto em que cada veículo está trabalhando, em vez de comparar indiscriminadamente todos os ativos da frota.

 

Por que controlar o combustível em operações sucroenergéticas?

O combustível é um recurso diretamente relacionado à operação de transporte e ao funcionamento de diversos equipamentos.

Quando o consumo aumenta sem que exista uma justificativa operacional, o impacto pode aparecer tanto nos custos quanto na produtividade.

Um controle estruturado permite:

  • Acompanhar os gastos por veículo.
  • Comparar o desempenho de ativos semelhantes.
  • Identificar rotas com consumo elevado.
  • Avaliar o comportamento dos motoristas.
  • Acompanhar o tempo de motor ocioso.
  • Identificar possíveis problemas de manutenção.
  • Detectar abastecimentos fora do padrão.
  • Comparar consumo realizado e esperado.
  • Acompanhar a evolução dos indicadores ao longo da safra.
  • Apoiar decisões baseadas em dados.

Além da dimensão financeira, existe uma relação importante entre eficiência de transporte e produtividade.

A Embrapa destaca que a sincronização entre transporte da cana e descarregamento na usina é fundamental para o rendimento das máquinas envolvidas. Atrasos no descarregamento podem gerar filas de caminhões carregados e reduzir a disponibilidade de veículos para a operação no campo.

Isso significa que combustível não deve ser analisado isoladamente. Um aumento de consumo pode estar relacionado, por exemplo, a maior tempo de espera, mudanças de rota, condições das vias ou alterações no ciclo operacional.

 

O que influencia o consumo de combustível no setor sucroenergético?

O consumo de um veículo não depende exclusivamente do modelo do caminhão ou da forma como o motorista conduz. Em uma operação sucroenergética, diversos fatores precisam ser considerados antes de classificar um determinado consumo como excessivo.

 

Condições das estradas

Trechos de terra, barro, aclives, declives, irregularidades e condições adversas de tráfego podem exigir maior esforço do veículo.

Por isso, comparar o consumo de dois caminhões sem considerar as condições das rotas pode levar a conclusões equivocadas.

Uma rota utilizada frequentemente em boas condições de pavimentação pode apresentar um comportamento muito diferente de um trajeto predominantemente realizado em estradas rurais.

 

Peso e carga transportada

O peso transportado também influencia o esforço necessário para movimentar o veículo.

Por isso, além do tradicional indicador de quilômetros por litro, as operações de transporte de cana podem se beneficiar da análise do consumo em relação à quantidade transportada.

Quando houver dados confiáveis de peso, indicadores como litros por tonelada podem ajudar a estabelecer comparações mais adequadas entre operações.

 

Distância e características da rota

A distância percorrida é importante para calcular o consumo, mas não conta toda a história.

Uma rota mais longa pode apresentar consumo diferente de uma rota curta por causa das condições da estrada, topografia, tráfego, velocidade média, tempo de espera, distância percorrida com o veículo carregado e distância percorrida com ele vazio.

Por isso, a análise deve considerar o ciclo completo da operação.

 

Tempo de motor ocioso

Um veículo pode consumir combustível mesmo quando está parado.

Isso acontece quando o motor permanece ligado durante períodos de espera, carregamento, descarregamento ou outras situações em que o veículo não está efetivamente se deslocando.

O acompanhamento do tempo de motor ocioso permite identificar oportunidades para reduzir esse consumo e melhorar a eficiência operacional.

 

Manutenção dos veículos

Condições inadequadas de pneus, filtros, motor e outros componentes podem prejudicar a eficiência do veículo.

Por isso, quando um caminhão passa a apresentar consumo diferente do seu histórico ou dos demais veículos da mesma categoria, a manutenção deve fazer parte da investigação.

O consumo de combustível, nesse sentido, também pode funcionar como um indicador complementar para identificar alterações no comportamento do veículo.

 

Comportamento do motorista

A maneira como o veículo é conduzido pode influenciar o consumo.

Acelerações e frenagens bruscas, excesso de velocidade, rotações inadequadas do motor e períodos prolongados de motor ocioso são exemplos de comportamentos que podem ser acompanhados por sistemas de telemetria.

Mais do que identificar quem apresenta pior desempenho, o objetivo deve ser utilizar essas informações para orientar treinamento, conscientização e melhoria contínua.

 

Condições climáticas

Chuva, calor intenso e mudanças nas condições do terreno podem alterar as características da operação.

Durante períodos de chuva, por exemplo, estradas rurais podem apresentar condições diferentes das observadas em períodos secos. Essas alterações devem ser consideradas na análise histórica do consumo.

 

Como calcular o consumo de combustível?

O cálculo do consumo é uma das formas mais simples de acompanhar a eficiência de um veículo.

Para calcular o indicador de quilômetros por litro (km/l), utilize a seguinte fórmula:

Consumo (km/l) = distância percorrida ÷ litros consumidos

Por exemplo, se um caminhão percorreu 300 quilômetros e consumiu 150 litros de combustível:

300 ÷ 150 = 2 km/l

Nesse caso, o veículo percorreu, em média, 2 quilômetros para cada litro consumido.

Também é possível trabalhar com o indicador inverso, litros por quilômetro (l/km):

Consumo (l/km) = litros consumidos ÷ distância percorrida

No mesmo exemplo:

150 ÷ 300 = 0,5 l/km

Os dois indicadores representam a mesma relação de consumo, mas devem ser utilizados de maneira consistente para evitar erros de interpretação.

 

Como obter os dados para o cálculo?

Uma forma tradicional é:

  1. Registrar a quilometragem inicial.
  2. Abastecer o veículo e registrar a quantidade de combustível.
  3. Realizar a operação.
  4. Registrar a quilometragem final.
  5. Calcular a distância percorrida.
  6. Relacionar a distância ao combustível consumido.
  7. Comparar o resultado com o histórico ou padrão adequado à operação.

O controle pode ser feito manualmente, em planilhas ou por meio de sistemas de gestão.

A vantagem da tecnologia é reduzir a dependência de registros manuais e permitir o acompanhamento contínuo dos dados.

 

Quais indicadores usar para controlar o combustível?

O km/l é importante, mas não deve ser o único indicador utilizado em uma operação sucroenergética.

Dependendo do tipo de operação e da disponibilidade de dados, outros indicadores podem oferecer uma visão mais completa.

Indicador O que mede Aplicação
km/l Distância percorrida por litro Avaliar eficiência do veículo
l/km Litros consumidos por quilômetro Avaliar intensidade do consumo
l/h Litros consumidos por hora Útil em operações nas quais o tempo de funcionamento é relevante
l/tonelada Combustível consumido por tonelada transportada Relacionar consumo à carga
l/ciclo Combustível consumido em um ciclo operacional Comparar operações semelhantes
R$/km Custo de combustível por quilômetro Avaliar impacto financeiro
Consumo realizado x esperado Diferença entre desempenho observado e padrão Identificar desvios
Tempo em marcha lenta Período de funcionamento sem deslocamento Identificar oportunidades de redução de desperdício

Os indicadores devem ser analisados dentro de contextos comparáveis.

Por exemplo, não é recomendável utilizar o mesmo padrão de consumo para veículos que realizam operações diferentes, transportam cargas diferentes ou percorrem rotas com características muito distintas.

 

Como controlar o consumo de combustível durante a safra?

A safra exige atenção especial porque a operação pode envolver grande volume de deslocamentos e alta utilização dos veículos e equipamentos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza o acompanhamento periódico da safra brasileira de cana-de-açúcar e, no primeiro levantamento da safra 2026/27, estimou produção de 709,1 milhões de toneladas, 5,3% acima da temporada anterior.

Em uma operação de grande escala, pequenas variações de eficiência podem se tornar relevantes quando multiplicadas pelo número de veículos e pela quantidade de ciclos realizados.

Por isso, durante a safra, o gestor pode estabelecer uma rotina de acompanhamento que considere:

  • Consumo por veículo.
  • Consumo por tipo de operação.
  • Consumo por rota.
  • Consumo por motorista.
  • Consumo por período.
  • Tempo de motor ocioso.
  • Abastecimentos.
  • Distância percorrida.
  • Carga transportada.
  • Desvios em relação ao padrão.

Também é importante observar que o transporte da cana envolve diferentes composições de veículos e que a capacidade de carga, a velocidade e as condições de deslocamento podem variar de acordo com o sistema utilizado.

Por isso, os indicadores devem ser contextualizados para que a comparação seja justa.

 

Como fazer o controle de abastecimento da frota?

O abastecimento é uma das principais fontes de informação para a gestão do combustível.

Cada abastecimento deve, sempre que possível, estar associado a informações como veículo, motorista, data e horário, local, quantidade abastecida, valor, tipo de combustível, quilometragem e horímetro (quando aplicável).

Quanto mais estruturados forem esses registros, mais fácil será identificar inconsistências.

 

Como identificar abastecimentos fora do padrão?

Algumas situações podem merecer investigação, como:

  • Quantidade abastecida incompatível com a capacidade do tanque.
  • Frequência de abastecimento diferente do padrão.
  • Consumo incompatível com a distância percorrida.
  • Abastecimentos realizados fora dos horários habituais.
  • Aumento repentino do consumo.
  • Divergência entre dados de abastecimento e operação.

Uma anomalia não significa necessariamente fraude ou desvio. Ela é um sinal de que o gestor deve analisar os dados e buscar a causa.

A integração entre informações de abastecimento, quilometragem, localização e operação pode tornar essa investigação mais rápida e precisa.

 

Como identificar desperdícios de combustível?

O desperdício pode aparecer de diferentes maneiras.

Uma forma eficiente de identificá-lo é comparar veículos e operações semelhantes e procurar desvios que não tenham uma justificativa operacional clara.

Situação observada Possíveis causas O que investigar
Consumo acima do padrão Condução, manutenção ou rota Dados do veículo, motorista e trajeto
Muito tempo de motor ligado parado Esperas ou hábitos de condução Tempo de marcha lenta
Consumo diferente entre veículos semelhantes Condição mecânica ou condução Histórico e comportamento
Aumento gradual do consumo Manutenção ou desgaste Histórico do veículo
Consumo elevado em determinada rota Condições do trajeto Rota, terreno e trânsito
Abastecimento incompatível Erro ou anomalia Registros e contexto da operação

O mais importante é não tratar o consumo elevado apenas como um problema do motorista.

Um desvio pode ter origem em fatores mecânicos, operacionais, ambientais ou de planejamento.

 

Como a telemetria ajuda no controle de combustível?

A telemetria permite coletar informações do veículo e transformá-las em dados que podem ser utilizados na gestão da frota.

Em vez de depender apenas de registros manuais, o gestor pode acompanhar informações relacionadas à operação e cruzá-las para identificar padrões e desvios.

 

Monitoramento do consumo

Os dados de telemetria podem ajudar a acompanhar o desempenho dos veículos e identificar alterações em relação ao histórico.

 

Monitoramento do motor ocioso

O acompanhamento do tempo em que o motor permanece ligado sem deslocamento ajuda a localizar situações em que existe potencial de desperdício.

 

Análise do comportamento do motorista

Velocidade, aceleração, frenagem e outros eventos podem ser analisados em conjunto com os indicadores de consumo. Isso permite identificar padrões de condução e direcionar ações de treinamento.

 

Comparação entre veículos

Veículos semelhantes podem apresentar desempenhos diferentes. Ao comparar os dados, o gestor consegue identificar quais ativos merecem uma investigação mais detalhada.

 

Análise de rotas

A localização e o histórico de deslocamento ajudam a relacionar consumo às características dos trajetos. Essa informação é especialmente relevante em operações que combinam rodovias, estradas rurais e deslocamentos dentro das áreas agrícolas.

 

Identificação de desvios

Quando o sistema identifica uma situação fora do padrão, o gestor pode investigar a causa e agir mais rapidamente. O objetivo não é apenas saber que o consumo aumentou, mas entender por que aumentou.

Videotelemetria

A videotelemetria pode acrescentar contexto visual aos dados registrados pela operação.

Enquanto a telemetria apresenta informações sobre o comportamento e o funcionamento do veículo, as imagens podem ajudar a compreender o que estava acontecendo no momento de determinado evento.

Dessa forma, dados e vídeo podem trabalhar de maneira complementar na análise da operação.

 

Como transformar os dados de combustível em decisões?

Ter dados não é suficiente. É preciso criar um processo para transformar essas informações em ações.

Uma rotina eficiente pode seguir seis etapas:

 

1. Coletar

Reunir informações de abastecimento, consumo, quilometragem, horas de funcionamento, rotas e comportamento.

 

2. Comparar

Avaliar os resultados em relação ao histórico, aos padrões definidos e a operações semelhantes.

 

3. Identificar desvios

Localizar veículos, motoristas, rotas ou períodos que apresentem comportamento diferente do esperado.

 

4. Investigar a causa

Verificar se o desvio está relacionado à condução, manutenção, carga, rota, condições da estrada, tempo de espera ou abastecimento.

 

5. Agir

Adotar a medida adequada: manutenção, treinamento, mudança de processo, revisão de rota ou outra ação necessária.

 

6. Medir novamente

Acompanhar os indicadores após a intervenção para verificar se o problema foi efetivamente corrigido.

Esse ciclo evita que o controle de combustível se transforme apenas em um relatório mensal.

 

Como criar uma rotina eficiente de controle de combustível?

Uma rotina de gestão pode ser dividida em diferentes frequências.

  • Acompanhamento diário: verificar abastecimentos, acompanhar alertas, identificar desvios relevantes, observar situações de excesso de marcha lenta e acompanhar veículos com comportamento fora do padrão.
  • Análise semanal: comparar veículos, analisar motoristas, verificar rotas, investigar alterações de consumo e acompanhar problemas recorrentes.
  • Análise mensal: avaliar tendências, comparar períodos, analisar custos, revisar padrões, verificar resultados das ações corretivas e identificar oportunidades de melhoria.

Durante períodos de maior intensidade operacional, como a safra, a frequência das análises pode ser ajustada conforme a necessidade da operação.

 

Checklist para melhorar o controle de combustível

Para estruturar o processo, o gestor pode utilizar o seguinte checklist:

  • Registrar todos os abastecimentos.
  • Associar abastecimentos aos respectivos veículos.
  • Acompanhar quilometragem e horas de funcionamento.
  • Estabelecer padrões de consumo adequados a cada operação.
  • Monitorar o tempo de motor ocioso.
  • Avaliar o comportamento dos motoristas.
  • Acompanhar a manutenção dos veículos.
  • Comparar consumo entre veículos semelhantes.
  • Avaliar consumo por rota e tipo de operação.
  • Relacionar consumo à carga transportada quando houver dados disponíveis.
  • Investigar variações fora do padrão.
  • Medir os resultados das ações corretivas.
  • Utilizar tecnologia para automatizar a coleta e análise de dados.

 

Gestão baseada em dados para mais eficiência

Uma gestão eficiente de combustível precisa relacionar veículo, motorista, carga, rota e tempo de operação. Ao cruzar essas informações, o gestor consegue identificar desvios de consumo, entender suas causas e tomar decisões para reduzir desperdícios e melhorar a eficiência da frota.

A tecnologia torna esse processo mais preciso ao automatizar a coleta e a análise de dados. Com uma Plataforma de Gestão de Frotas, como a Vfleets, oferecida pela Platform Science, empresas podem conectar diferentes fontes de informação da operação e obter uma visão mais completa do desempenho dos veículos e motoristas.

No setor sucroenergético, essa capacidade é especialmente relevante para coordenar operações que envolvem campo, transporte e usina.

Por isso, o objetivo do controle de combustível não deve ser apenas consumir menos, mas aumentar a eficiência operacional, reduzir desperdícios e utilizar os recursos da frota de maneira mais inteligente.

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