
A Platform Science consolidou sua liderança na orquestração de frotas em 2026 ao concluir a aquisição das operações de telemática da Trimble Transportation no primeiro semestre de 2025. Essa integração une a plataforma unificada da empresa à robusta tecnologia Trimble, focando em inteligência coletiva, conectividade avançada e eficiência para o setor de transporte.
O controle de combustível no setor sucroenergético é estrategicamente fundamental para melhorar a eficiência da frota, reduzir desperdícios e oferecer apoio a decisões operacionais.
Em uma operação que envolve máquinas agrícolas, veículos de apoio, caminhões, treminhões e diferentes trajetos entre o campo e a usina, o consumo de combustível pode variar de acordo com a carga, a rota, as condições das estradas, o comportamento do motorista, o tempo de operação e diversos outros fatores.
Assim, para controlar combustível, é preciso relacionar os abastecimentos aos quilômetros percorridos, às horas de funcionamento, às cargas transportadas e às características de cada operação.
Entenda a seguir como fazer o controle de combustível no setor sucroenergético, quais indicadores acompanhar, o que pode provocar consumo acima do esperado e como tecnologias como a telemetria ajudam a transformar esses dados em decisões mais eficientes.
O controle de combustível no setor sucroenergético é o conjunto de processos utilizados para acompanhar quanto combustível é abastecido e consumido pelos veículos e equipamentos empregados nas operações agrícolas, de transporte e de apoio.
Esse controle pode envolver dados como:
A partir dessas informações, o gestor consegue comparar o consumo realizado com padrões esperados e identificar situações que merecem investigação.
Isso é especialmente importante no setor sucroenergético porque a operação de transporte da cana apresenta características próprias.
Segundo a Embrapa, cerca de 95% da cana-de-açúcar colhida no Brasil circula pela malha rodoviária, e a escolha dos veículos utilizados no transporte está relacionada, entre outros fatores, à distância entre o campo e a unidade industrial, às condições das vias e aos custos operacionais.
Assim, o controle de combustível precisa considerar o contexto em que cada veículo está trabalhando, em vez de comparar indiscriminadamente todos os ativos da frota.
O combustível é um recurso diretamente relacionado à operação de transporte e ao funcionamento de diversos equipamentos.
Quando o consumo aumenta sem que exista uma justificativa operacional, o impacto pode aparecer tanto nos custos quanto na produtividade.
Um controle estruturado permite:
Além da dimensão financeira, existe uma relação importante entre eficiência de transporte e produtividade.
A Embrapa destaca que a sincronização entre transporte da cana e descarregamento na usina é fundamental para o rendimento das máquinas envolvidas. Atrasos no descarregamento podem gerar filas de caminhões carregados e reduzir a disponibilidade de veículos para a operação no campo.
Isso significa que combustível não deve ser analisado isoladamente. Um aumento de consumo pode estar relacionado, por exemplo, a maior tempo de espera, mudanças de rota, condições das vias ou alterações no ciclo operacional.
O consumo de um veículo não depende exclusivamente do modelo do caminhão ou da forma como o motorista conduz. Em uma operação sucroenergética, diversos fatores precisam ser considerados antes de classificar um determinado consumo como excessivo.
Trechos de terra, barro, aclives, declives, irregularidades e condições adversas de tráfego podem exigir maior esforço do veículo.
Por isso, comparar o consumo de dois caminhões sem considerar as condições das rotas pode levar a conclusões equivocadas.
Uma rota utilizada frequentemente em boas condições de pavimentação pode apresentar um comportamento muito diferente de um trajeto predominantemente realizado em estradas rurais.
O peso transportado também influencia o esforço necessário para movimentar o veículo.
Por isso, além do tradicional indicador de quilômetros por litro, as operações de transporte de cana podem se beneficiar da análise do consumo em relação à quantidade transportada.
Quando houver dados confiáveis de peso, indicadores como litros por tonelada podem ajudar a estabelecer comparações mais adequadas entre operações.
A distância percorrida é importante para calcular o consumo, mas não conta toda a história.
Uma rota mais longa pode apresentar consumo diferente de uma rota curta por causa das condições da estrada, topografia, tráfego, velocidade média, tempo de espera, distância percorrida com o veículo carregado e distância percorrida com ele vazio.
Por isso, a análise deve considerar o ciclo completo da operação.
Um veículo pode consumir combustível mesmo quando está parado.
Isso acontece quando o motor permanece ligado durante períodos de espera, carregamento, descarregamento ou outras situações em que o veículo não está efetivamente se deslocando.
O acompanhamento do tempo de motor ocioso permite identificar oportunidades para reduzir esse consumo e melhorar a eficiência operacional.
Condições inadequadas de pneus, filtros, motor e outros componentes podem prejudicar a eficiência do veículo.
Por isso, quando um caminhão passa a apresentar consumo diferente do seu histórico ou dos demais veículos da mesma categoria, a manutenção deve fazer parte da investigação.
O consumo de combustível, nesse sentido, também pode funcionar como um indicador complementar para identificar alterações no comportamento do veículo.
A maneira como o veículo é conduzido pode influenciar o consumo.
Acelerações e frenagens bruscas, excesso de velocidade, rotações inadequadas do motor e períodos prolongados de motor ocioso são exemplos de comportamentos que podem ser acompanhados por sistemas de telemetria.
Mais do que identificar quem apresenta pior desempenho, o objetivo deve ser utilizar essas informações para orientar treinamento, conscientização e melhoria contínua.
Chuva, calor intenso e mudanças nas condições do terreno podem alterar as características da operação.
Durante períodos de chuva, por exemplo, estradas rurais podem apresentar condições diferentes das observadas em períodos secos. Essas alterações devem ser consideradas na análise histórica do consumo.
O cálculo do consumo é uma das formas mais simples de acompanhar a eficiência de um veículo.
Para calcular o indicador de quilômetros por litro (km/l), utilize a seguinte fórmula:
Consumo (km/l) = distância percorrida ÷ litros consumidos
Por exemplo, se um caminhão percorreu 300 quilômetros e consumiu 150 litros de combustível:
300 ÷ 150 = 2 km/l
Nesse caso, o veículo percorreu, em média, 2 quilômetros para cada litro consumido.
Também é possível trabalhar com o indicador inverso, litros por quilômetro (l/km):
Consumo (l/km) = litros consumidos ÷ distância percorrida
No mesmo exemplo:
150 ÷ 300 = 0,5 l/km
Os dois indicadores representam a mesma relação de consumo, mas devem ser utilizados de maneira consistente para evitar erros de interpretação.
Uma forma tradicional é:
O controle pode ser feito manualmente, em planilhas ou por meio de sistemas de gestão.
A vantagem da tecnologia é reduzir a dependência de registros manuais e permitir o acompanhamento contínuo dos dados.
O km/l é importante, mas não deve ser o único indicador utilizado em uma operação sucroenergética.
Dependendo do tipo de operação e da disponibilidade de dados, outros indicadores podem oferecer uma visão mais completa.
Os indicadores devem ser analisados dentro de contextos comparáveis.
Por exemplo, não é recomendável utilizar o mesmo padrão de consumo para veículos que realizam operações diferentes, transportam cargas diferentes ou percorrem rotas com características muito distintas.
A safra exige atenção especial porque a operação pode envolver grande volume de deslocamentos e alta utilização dos veículos e equipamentos.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza o acompanhamento periódico da safra brasileira de cana-de-açúcar e, no primeiro levantamento da safra 2026/27, estimou produção de 709,1 milhões de toneladas, 5,3% acima da temporada anterior.
Em uma operação de grande escala, pequenas variações de eficiência podem se tornar relevantes quando multiplicadas pelo número de veículos e pela quantidade de ciclos realizados.
Por isso, durante a safra, o gestor pode estabelecer uma rotina de acompanhamento que considere:
Também é importante observar que o transporte da cana envolve diferentes composições de veículos e que a capacidade de carga, a velocidade e as condições de deslocamento podem variar de acordo com o sistema utilizado.
Por isso, os indicadores devem ser contextualizados para que a comparação seja justa.
O abastecimento é uma das principais fontes de informação para a gestão do combustível.
Cada abastecimento deve, sempre que possível, estar associado a informações como veículo, motorista, data e horário, local, quantidade abastecida, valor, tipo de combustível, quilometragem e horímetro (quando aplicável).
Quanto mais estruturados forem esses registros, mais fácil será identificar inconsistências.
Algumas situações podem merecer investigação, como:
Uma anomalia não significa necessariamente fraude ou desvio. Ela é um sinal de que o gestor deve analisar os dados e buscar a causa.
A integração entre informações de abastecimento, quilometragem, localização e operação pode tornar essa investigação mais rápida e precisa.
O desperdício pode aparecer de diferentes maneiras.
Uma forma eficiente de identificá-lo é comparar veículos e operações semelhantes e procurar desvios que não tenham uma justificativa operacional clara.
O mais importante é não tratar o consumo elevado apenas como um problema do motorista.
Um desvio pode ter origem em fatores mecânicos, operacionais, ambientais ou de planejamento.
A telemetria permite coletar informações do veículo e transformá-las em dados que podem ser utilizados na gestão da frota.
Em vez de depender apenas de registros manuais, o gestor pode acompanhar informações relacionadas à operação e cruzá-las para identificar padrões e desvios.
Os dados de telemetria podem ajudar a acompanhar o desempenho dos veículos e identificar alterações em relação ao histórico.
O acompanhamento do tempo em que o motor permanece ligado sem deslocamento ajuda a localizar situações em que existe potencial de desperdício.
Velocidade, aceleração, frenagem e outros eventos podem ser analisados em conjunto com os indicadores de consumo. Isso permite identificar padrões de condução e direcionar ações de treinamento.
Veículos semelhantes podem apresentar desempenhos diferentes. Ao comparar os dados, o gestor consegue identificar quais ativos merecem uma investigação mais detalhada.
A localização e o histórico de deslocamento ajudam a relacionar consumo às características dos trajetos. Essa informação é especialmente relevante em operações que combinam rodovias, estradas rurais e deslocamentos dentro das áreas agrícolas.
Quando o sistema identifica uma situação fora do padrão, o gestor pode investigar a causa e agir mais rapidamente. O objetivo não é apenas saber que o consumo aumentou, mas entender por que aumentou.
A videotelemetria pode acrescentar contexto visual aos dados registrados pela operação.
Enquanto a telemetria apresenta informações sobre o comportamento e o funcionamento do veículo, as imagens podem ajudar a compreender o que estava acontecendo no momento de determinado evento.
Dessa forma, dados e vídeo podem trabalhar de maneira complementar na análise da operação.
Ter dados não é suficiente. É preciso criar um processo para transformar essas informações em ações.
Uma rotina eficiente pode seguir seis etapas:
Reunir informações de abastecimento, consumo, quilometragem, horas de funcionamento, rotas e comportamento.
Avaliar os resultados em relação ao histórico, aos padrões definidos e a operações semelhantes.
Localizar veículos, motoristas, rotas ou períodos que apresentem comportamento diferente do esperado.
Verificar se o desvio está relacionado à condução, manutenção, carga, rota, condições da estrada, tempo de espera ou abastecimento.
Adotar a medida adequada: manutenção, treinamento, mudança de processo, revisão de rota ou outra ação necessária.
Acompanhar os indicadores após a intervenção para verificar se o problema foi efetivamente corrigido.
Esse ciclo evita que o controle de combustível se transforme apenas em um relatório mensal.
Uma rotina de gestão pode ser dividida em diferentes frequências.
Durante períodos de maior intensidade operacional, como a safra, a frequência das análises pode ser ajustada conforme a necessidade da operação.
Para estruturar o processo, o gestor pode utilizar o seguinte checklist:
Uma gestão eficiente de combustível precisa relacionar veículo, motorista, carga, rota e tempo de operação. Ao cruzar essas informações, o gestor consegue identificar desvios de consumo, entender suas causas e tomar decisões para reduzir desperdícios e melhorar a eficiência da frota.
A tecnologia torna esse processo mais preciso ao automatizar a coleta e a análise de dados. Com uma Plataforma de Gestão de Frotas, como a Vfleets, oferecida pela Platform Science, empresas podem conectar diferentes fontes de informação da operação e obter uma visão mais completa do desempenho dos veículos e motoristas.
No setor sucroenergético, essa capacidade é especialmente relevante para coordenar operações que envolvem campo, transporte e usina.
Por isso, o objetivo do controle de combustível não deve ser apenas consumir menos, mas aumentar a eficiência operacional, reduzir desperdícios e utilizar os recursos da frota de maneira mais inteligente.

